31/10/2016

Vencendo a barreira do tempo e espaço!


Já ouviram o ditado que diz que "O fruto não cai muito longe da árvore"? Pois é, apesar de não acreditar que isso seja uma regra para todos, foi assim comigo.

Não consigo me lembrar a última vez que meus pais tiveram um emprego formal. Desde que me entendo por gente os dois seguem a vida tocado os próprios negócios, mudando, se adaptando aos cenários e enfrentando às adversidades impostas aos empreendedores no nosso país.

Foi viver ao lado destes exemplos que fez a sementinha do empreendedorismo brotar em mim e recentemente resolvi "regá-la" para ver o que ia dar.

Como já contei para vocês, eu me casei em 2014 e a vida de casada me trouxe mais responsabilidades e novos planos, muitos dos quais não seriam possíveis de serem colocados em prática se eu continuasse levando a vida no mesmo ritmo de sempre. Para viver a vida que eu gostaria de viver eu teria que mudar o trajeto.

Ter filhos é um desses planos e foi pensando nisso que eu quase entrei parafuso no ano passado.

Eu tinha dois dilemas: ESPAÇO e TEMPO

Nós moramos em um apartamento de 2 quartos com a super metragem de 53m², o quarto adicional era o QG da Cheia de Fusquinha na época (e de parte dos livros e dos meus amados sapatos) e eu não tinha mais espaço nem para um alfinete por lá, quem dirá para uma criança.

A Cheia de Fusquinha era um negócio paralelo mas eu não estava disposta a abrir mão dele, então a solução que enxergávamos na época era arrumar uma casa ou apartamento que comportasse a vida que queríamos, logo o dilema do espaço seria solucionado, mas, aí começaria o dilema do tempo.

Comprar uma casa maior significaria aumentar nosso custo de vida e comprometer nossa renda durante muito tempo para arcar com um financiamento. Isso significava que eu teria que continuar trabalhando onde estava e eu teria resolvido só parte do meu problema.

Quero ser mãe presente, quero poder acompanhar a evolução dos meus filhos de perto como minha mãe fez, mas como eu ia conseguir fazer isso se seria obrigada a ficar fora de casa 12 horas por dia?

Voltei para estaca zero, chorei, esperneei e me desesperei, mas logo depois eu descobri que a vida não é injusta e a solução apareceu de uma forma inesperada.

Meus pais tinham um imóvel simples de renda que passou a vida toda alugado, então a gente nem lembrava dele, mas no começo de 2016 o contrato de locação venceu e eles optaram por não renová-lo. Era muito trabalho para pouco dinheiro, locar novamente não valeria a pena...então sinos tocaram, anjos desceram a terra e o meu problema de espaço estava resolvido, eles cederam o espaço para que eu montasse o ateliê.

Foi lindo e cansativo, deu uma trabalheira danada e se eu não tivesse pais talentosos e um marido disposto eu não teria montado nem um quarto, mas com a ajuda de todos a Cheia de Fusquinha ganhou uma nova casa.

Problema de espaço resolvido! Ufa! Mas e o tempo, como ficou?

Ter meu próprio negócio era um sonho, como um espaço próprio a vida ficava agora mais fácil, mas eu estava trabalhando mais que camelo no deserto e o tempo estava cada vez mais escasso, e minha saúde também. Eu saia do trabalho pro ateliê e do ateliê pro trabalho, trabalhava 20 horas por dia dormia 3 horas, me alimentava mal, engordei, não tinha vida....o plano não era esse, mas eu tinha contas para pagar. Tinha que escolher um caminho, não dava mais para manter as duas coisas.

Fiz as contas do quanto eu realmente ganhava no meu emprego. A gente tende a somar tudo e subtrair os boletinhos nossos de cada dia, mas eu fiz uma conta diferente, além da questão financeira, calculei o meu "índice de felicidade".

A conta do que eu recebia, com valores hipotéticos para exemplificar, ficava mais ou menos assim:

Salário $5000,00 + PLR $800,00  + Vale Refeição $400,00  = $ 6200,00

Então, calculei o que eu gastava só para me manter trabalhando e não era pouco:

Impostos: $1200,00 + Refeições diárias $600,00 + Transporte $200,00 + Vestuário (a empresa tinha dress-code próprio) $600,00  = $2600,00

Descobri que na verdade eu ganhava só $3600,00 e não os $6200,00 lá do começo. Quase metade dos valores recebidos ia só pra impostos e manutenção da minha condição de "funcionária". Essas seriam as principais "economias" da minha condição de empreendedora.

Depois disso eu calculei o meu custo de vida, ou seja, quanto eu gastava por mês para manter a minha vida, pagar as contas e não deixar faltar nada em casa. Esse é o valor mínimo que eu deveria garantir por mês para seguir em frente sem enfrentar dificuldades, fiz uma poupança e guardei esse valor para garantir 6 meses de tranquilidade.

Pra calcular meu "índice de felicidade" eu fiz uma lista de prós e contras para cada opção antes de me decidir. Andei com ela para lá e para cá por uns dois meses e avaliei tudo que consegui pensar: estabilidade financeira, tempo, poder aquisitivo, qualidade de vida, satisfação, etc.

É importante não romantizar o resultado e tentar fazer o exercício de enxergar além, ver os desafios de cada uma antes de se decidir. Eu queria empreender, mas não poderia dar um "tiro à esmo" e correr o risco de perder tudo que tinha conquistado até o momento. Foi uma decisão racional, matemática, o emocional é um dos fatores a serem pesados, mas não pode ser o principal.

Empreender me deu o tempo que eu precisava, se antes gastava 3 horas por dia só em deslocamentos, hoje uso esse tempo pra cuidar da minha casa, cuidar de mim. Se no emprego formal eu era obrigada a ficar no mínimo 8 horas diárias na frente de um computador tendo trabalho ou não a ser feito, hoje eu consigo fazer o tempo trabalhar ao meu favor.

Se colocar na ponta do lápis, eu digo pra vocês que eu trabalho bem mais, mas a flexibilidade de definir a minha rotina aumentou absurdamente a minha qualidade de vida. Tem momentos que eu estou super disposta e viro dia e noite trabalhando, é cansativo, mas maravilhoso, porque se no dia seguinte eu acordar com preguiça eu posso me internar no sofá e fazer maratona de séries na Netflix sem culpa, parece bobagem, mas ter esse pequeno poder de decisão mudou a minha vida.

Fica aqui minha dica para quem deseja mudanças na vida, seja em qualquer área dela. Avalie, faça uma listinha de prós e contras, imagine como será e reflita muito. Com paciência e organização a gente consegue! =)

Beijokas e até a próxima!

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7 comentários:

  1. Incrivel como vejo sua historia na minha!Vc é uma inspiracao pra nós que ainda nao conseguimos chutar o balde... E quando vc vai querer pensar no primeiro bebezinho? :)

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    1. Oi Deborah, obrigada pelo recadinho! Acho que em 2017 já providencio um pimpolho! =)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Nossa penso nesta questão de tempo também, pois neste momento era para eu ser funcionária pública kkk, porém por conta de questões políticas ainda não chamaram. Mas aí fico pensado e se eles me chamarem daqui dois anos, que é o prazo máximo, eu vou? Pois já estarei bem próximo da idade que planejei para ter filho e como você quero cuidar eu mesma.

    Não iria escrever este texto abaixo, mas vai que alguém esteja pensado a mesma coisa, Fiquei inspirada agora.

    Muito estranho ler o que acabei de escrever, fiquei pensado o que estou esperando para colocar em prática minhas ideias, além da falta de informação é claro, se não tenho nada me prendendo?

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    1. Oi Josiene,obrigada pelo recadinho! Reflita bastante sobre o que deseja, quando tiver certeza, arrisque! Você nem imagina o poder que a nossa vontade tem! =)

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  4. Oi. Estou conhecendo seu trabalho agora pelo Instagram.
    Achei muito legal seus textos e realmente são inspiradores. Parabéns!

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    1. Oi Mônica, tudo bem? Fico muito feliz que tenha gostado! Espero vê-la mais vezes por aqui! =)

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